Teste de Imuno-Histoquímica para ALK

O teste de imuno-histoquímica (IHQ) para o biomarcador ALK é indicado como um estudo clínico diferenciado para auxiliar a detecção de linfoma anaplásico de grandes células (ALCL), dentro do contexto avaliado por um patologista qualificado.

Dessa maneira, verifica translocações específicas no gene da quinase de linfoma anaplásico, no cromossomo 2. O exame imuno-histoquímico para ALK é frequentemente utilizado para detectar adenocarcinoma de pulmão e variantes, como o câncer de pulmão de células não pequenas (85% dos casos).

O teste para ALK permite que o médico patologista possa se beneficiar dos resultados para que oriente o tratamento com uma terapia medicamentosa mais direcionada.

 

Análise do gene ALK

O ALK é uma proteína de fusão detectável através de microscopia óptica. O estudo de imuno-histoquímica para o ALK é realizado com a presença de antígenos no tecido impregnado em parafina e fixado no formal.

A detecção de rearranjo do gene ALK caracteriza um grupo com alta responsividade para inibidores da proteína ALK. Isso ocorre principalmente em doentes mais jovens, doentes não fumantes ou ex-fumantes de baixa carga tabágica. Essa classificação histopatológica tornou-se essencial para uma exata seleção dos grupos de doentes na área da pneumologia oncológica.

Mutações do ALK detectáveis pelo exame imuno-histoquímico também ajudam a indicar casos raros de neuroblastoma familiar. Dessa forma, torna-se um estudo complementar importante para a detecção de patologias do sistema nervoso central.

O IHQ mostra-se como um método bastante eficaz para a verificação de potencialidades do ALK na peça histológica, uma vez que analisa simultaneamente a arquitetura tecidual e a composição das células tumorais.

 

Rearranjos com ALK

Fusões com proteínas químicas, como a EML4-ALK, demonstram um papel-chave no controle da proliferação de células tumorais, especialmente para a atividade antitumoral de drogas como o crizotinibe.  O teste imuno-histoquímica marca tumores ALK positivos resistentes ao medicamento, sendo essencial para a avaliação da resposta terapêutica.

Assim, a detecção de um rearranjo de ALK pelo IHQ é fundamental para beneficiar tratamentos com inibidores do gene ALK. Dentro do contexto do processo de qualidade do teste de imuno-histoquímica para ALK, a escolha dos marcadores por profissionais qualificados traz um diagnóstico mais preciso e contribui para o estudo do médico patologista.

 

REFERÊNCIA

Sullivan I, Planchard D. ALK inhibitors in non-small cell lung cancer: the latest evidence and developments. Ther Adv Med Oncol 2016;8:32-47. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4699265/>. Acesso em: 24/04/2018

 

 

Análise Imuno-Histoquímica de PD-L1

O PD-L1 é um biomarcador utilizado clinicamente com foco de investigação na área do câncer. Sua expressão nas células tumorais pode condicionar a atividade das células T pela ligação ao PD-1 no microambiente tumoral.

Com efeito, o PD-L1 tem grande importância na seleção de doentes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPNPC). A avaliação PD-L1 é um indicador fundamental para a análise de candidatos à imunoterapia do câncer.

Desse modo, a verificação por imuno-histoquímica (IHQ) evidencia a ocorrência da expressão PD-L1 em vários níveis nas células tumorais de processos neoplásicos, como:

 

  • Câncer de pulmão de células não pequenas;
  • Melanoma;
  • Carcinoma de células renais;
  • Bexiga;
  • Cabeça e Pescoço;
  • Cervical;
  • Gástrico;
  • Esofágico;
  • Mama;
  • Ovários;
  • Glioblastoma multiforme, entre outros.

 

Valor preditivo de PD-L1

Em neoplasias, a expressão imuno-histoquímica de PD-L1 tem sua validação comprovada por estudos clínicos, sendo seu valor preditivo destacado em resposta aos tratamentos terapêuticos anti-PD-1.

Dessa maneira, a análise PD-L1 na membrana das células tumorais, assim como seus receptores, está associada à sobrevida de pacientes submetidos a certos tipos de terapia medicamentosa.

Para que essa interpretação seja realizada, o patologista qualificado segue o protocolo do kit de detecção, valendo-se do uso de imunocoloração automatizada.

 

Importância da expressão PD-L1

No exame imuno-histoquímico, o anticorpo monoclonal SP263 (Ventana) destina-se ao uso laboratorial para detecção da proteína PD-L1. A amostra do tecido é fixada em formalina, em bloco de parafina.

Entretanto, a disponibilidade do tecido pode ser uma limitação para a análise de alguns tipos de câncer. Há a necessidade de otimizar a aquisição e o processamento das amostras teciduais para que o uso do biomarcador PD-L1 seja responsivo na análise laboratorial.

O resultado do exame imuno-histoquímico para PD-L1 é baseado na porcentagem de área tumoral ocupada por células imunes infiltrantes de tumor expressando PD-L1 de qualquer intensidade, além da porcentagem de células tumorais que expressam PD-L1 de qualquer intensidade, sobretudo dentro do contexto clínico.

Assim sendo, a verificação do PD-L1 reforça a validação do exame laboratorial para a sinalização de neoplasias, principalmente em carcinoma urotelial e carcinoma de não pequenas células de pulmão (CNPC).

 

REFERÊNCIA

Diggs LP, Hsueh EC. Utility of PD-L1 immunohistochemistry assays for predicting PD-1/PD-L1 inhibitor response. Biomark Res 2017; 5:12. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?db=PubMed&cmd=Retrieve&list_uids=28331612>. Acesso em: 24/04/2018

Imuno-histoquímica: Uma ferramenta poderosa para a investigação do tecido e diagnóstico anatomopatológico

A imuno-histoquímica (IHQ) desempenha um papel cada vez mais importante na precisão do diagnóstico do médico patologista ao combinar técnicas imunológicas e bioquímicas para identificar componentes específicos de um tecido.

O exame de imuno-histoquímica é utilizado como um estudo complementar do diagnóstico anatomopatológico ou para fins de investigação científica. O processo detecta e analisa componentes tissulares (antígenos – Ag) através da reação de anticorpos específicos (Ac) e uso de cromógenos (reagentes de cor).

A ligação antígeno-anticorpo (Ag-Ac) revela um marcador visual por microscopia, sendo o método mais utilizado a coloração por fluorescência e a reação enzimática. Uma vantagem significativa desse teste é compreender a distribuição e a localização dos biomarcadores entre si e em relação ao resto do material de amostra.

O exame imuno-histoquímico contribui com dados mais precisos especialmente em situações onde os patógenos não são visualizados pela morfologia convencional. O estudo aprofundado do tecido muitas vezes é decisivo para a avaliação prognóstica e orientação terapêutica mais adequada, sendo amplamente utilizado para a diferenciação de células tumorais na patologia cirúrgica.

Aplicações

As reações imuno-histoquímicas podem ser utilizadas para diferentes situações na investigação do tecido. Suas aplicações incluem:

● Diagnóstico histogenético de neoplasias morfologicamente não diferenciadas;

● Subtipagens de neoplasias;

● Caracterização da localização primária de neoplasias malignas;

● Pesquisa de fatores prognósticos e indicações terapêuticas de determinadas doenças;

● Diferenciação da natureza benigna ou maligna de determinadas proliferações celulares;

● Detecção de agentes infecciosos.

Fase Pré-Analítica

A fase pré-analítica está relacionada com a amostra em sua origem. Refere-se ao processamento do material tecidual a fim de garantir a qualidade da amostra para o exame. A fixação do tecido é uma das etapas mais importantes da técnica e visa garantir sensibilidade suficiente dos reagentes para a marcação imuno-histoquímica e análise dos resultados. Tempos de fixação prolongados ou insuficientes podem afetar a reação antigênica para o propósito.

Fase Analítica

A fase analítica engloba a escolha de anticorpos primários e o sistema de visualização. A recuperação antigênica pode ser obtida por diferentes métodos e a escolha adequada depende de alguns fatores que incluem: o tempo de fixação, o tipo de fixador e a natureza do antígeno e anticorpo. A sensibilidade da reação imunológica pode depender em grande parte do método escolhido, tornando fundamental a especialização do laboratório e padronização dos procedimentos.

Fase Pós-Analítica

Refere-se à interpretação dos resultados imuno-histoquímicos para a configuração clínica precisa. Nessa fase, a experiência do patologista ao escolher os reagentes e anticorpos a serem utilizados no método padronizado torna-se fundamental para a quantificação dos resultados. A análise das reações e indicações das colorações é conjugada com outros dados clínicos disponíveis para o diagnóstico mais assertivo e indicação terapêutica adequada para cada paciente.

Etapas do exame de imuno-histoquímica

1. Obtenção da amostra biológica

2. Fixação

3. Processamento

4. Microtomia

5. Recuperação Antigênica

6. Bloqueio de substâncias endógenas

7. Aplicação de anticorpos e cromógenos

8. Análise histológica, interpretação e diagnóstico

Ao ser realizado com profissionais capacitados, o estudo imuno-histoquímico torna-se uma ferramenta poderosa para a investigação do tecido e diagnóstico anatomopatológico final. O exame de imuno-histoquímica é um método prático que pode solucionar muitos problemas da rotina diagnóstica de patologia cirúrgica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

WERNER, Betina; CAMPOS, Antonio Carlos; NADJI, Mehdad  and  TORRES, Luiz Fernando Bleggi. Uso prático da imuno-histoquímica em patologia cirúrgica. J. Bras. Patol. Med. Lab. 2005, vol.41, n.5, pp.353-364. ISSN 1678-4774.  Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1676-24442005000500011>. Acesso em: 21/03/2018

ALVES, V. A. F.; BACCHI, C. E.; VASSALLO, J. Manual de Imuno-histoquímica. São Paulo: Sociedade Brasileira de Patologia, 1999.